quinta-feira, 31 de março de 2011

Bullying: as faces de uma violência oculta Se existe uma cultura de violência, espalhemos uma contracultura

Uma violência física, mas, muitas vezes, psicológica: este é o bullying, termo que tem origem na palavra inglesa bully, que significa "brigão", "valentão". Na prática, traduz-se em atos de covardia, tirania, agressão, opressão, maus-tratos, ironias, que acontecem de forma repetitiva e não necessariamente com uma agressão física, mas na maioria das vezes acompanhado de tratamento ofensivo, ameaças e torturas psicológicas. Essas agressões possuem um caráter intencional e, muitas vezes, a pessoa que sofre o bullying pode ser abordada por uma ou por várias pessoas.

Forma de violência que tem crescido no mundo, pode fazer vítimas em diversos contextos sociais: escola, família, universidade, vizinhança, local de trabalho. Pode começar com um simples apelido "inofensivo", mas que pode ter grande repercussão para a pessoa atingida.

Sabemos que essa prática existe há muito tempo, mas nem sempre recebeu esse nome. Estudos mostram a preocupação de vários setores da sociedade com o crescente número desses casos de agressão, especialmente nas escolas.

Aquele que sofre com o bullying, muitas vezes, vive esse processo sozinho. Podemos observar que, além do isolamento ou da queda do aproveitamento escolar de uma criança ou jovem que passa por essa situação, ela também pode iniciar um processo de adoecimento psicossomático, de estado emocional, sintomas depressivos, estresse elevado; e tudo isso somado pode afetar sua personalidade. Ao ser ridicularizada a pessoa passa a não enfrentar mais o contato social e, aos poucos, perde o prazer em atividades sociais, como frequentar a escola, lazer ou qualquer situação em que necessite se expor, por medo de ser novamente vítima desse processo. 

Esse fenômeno leva a pessoa vítima da agressão mobilizar seu medo, sua angústia e a reprimir a raiva e até mesmo a ter sentimentos de culpa, como se ela fosse responsável pelos ataques sofridos. Muitas vezes, não há denúncia, pois o agredido teme ser ainda mais perseguido; de forma que o agressor se vale desse silêncio como proteção e anonimato.

Um dado muito importante deve servir de alerta para todos nós: estudos mostram que, em 80% dos casos, aqueles que praticam esse tipo de violência afirmam que a causa principal desse comportamento é a necessidade de replicar em outras pessoas a violência que sofreram em casa ou na própria escola. As atitudes dessas pessoas envolvem a necessidade de dominar, de impor autoridade e coagir, desejando, na verdade, ser aceitas e pertencer ao grupo e de chamar a atenção para si. Mostra ainda a dificuldade de lidarem com seus sentimentos, de colocarem-se no lugar do outro e perceberem os sentimentos das pessoas.

Aqueles que agridem passam a ter um comportamento de distanciamento e dificuldade em alcançar um bom rendimento escolar; nota-se que valorizam muito a violência como fonte de poder e tais fatos podem levar a comportamentos desadaptados na fase adulta.

Nosso papel é trabalhar com os grupos sociais nos quais vivemos, começando pelo núcleo familiar, o trabalho de valorização de princípios como respeito às diferenças, a tolerância, a convivência fraternal e de acolhimento das pessoas, valorizando a harmonia e a disponibilidade e refazer sua história, pois embora deixe lembranças, é possível refazer o caminho de vida, tanto para agressor quanto para agredido. É importante que pais, educadores, religiosos, líderes comunitários e empresas possam conversar abertamente sobre esse assunto, visando propostas para reverter este quadro.

Se existe uma cultura de violência, que se dissemina entre as pessoas, é importante que possamos espalhar uma contracultura de paz, especialmente nas crianças, que precisam ser moldadas e nelas semeadas boas sementes de paz, amor, harmonia. Vivemos um tempo de aprendizado de como lidar com isso: escolas, pais, agressores e agredidos, muitas vezes, não sabem o que fazer, mas o grande plano neste momento é aprender com o incentivo de gestos de compreensão, de cada vez mais cultivar o respeito às diferenças individuais e o olhar de fé e atitude de cada um de nós.

terça-feira, 22 de março de 2011

Água é um dos principais símbolos do Cristianismo, explica padre

Nicole Melhado

Da Redação


Arquivo CN
''A água não é propriedade exclusiva de ninguém, mas deve ser um dom de Deus para todos'', salienta padre Wagner Ferreita
São diversas as passagem bíblicas onde a água é vista como sinal da vida, sinal da presença de Deus que transforma a existência humana. "A água simboliza a eternidade justamente porque a água leva a pessoa a essa experiência de estar mergulhada na vida de Deus", explica o doutor em Teologia Moral e formador geral da Comunidade Canção Novapadre Wagner Ferreira, no Dia Mundial da Água, comemorado nesta terça-feira, 22.

Especialmente no batismo, sacramento que é a porta de entrada à vida em comunhão com a Igreja de Cristo, que pela água o ser humano passa a ser filho de Deus, participante da vida da Trindade. "O próprio Jesus deixou-se batizar no Rio Jordão por João Batista. Ele se submeteu ao batismo para transformar nossa humanidade participante da vida de Deus. Por isso o batismo de Jesus tem um significado importante para a vida cristã”, explica o sacerdote.

Depois da Ressurreição, Jesus Cristo ordenou aos discípulos que fossem pelo mundo afora batizando as pessoas em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, por isso a palavra batismo significa mergulho, assim o batizado mergulha na vida de Deus.

Padre Wagner lembra que São Paulo Apóstolo diz que batizar uma pessoa é mergulhá-la no mistério de Jesus. Assim esse sacramento insere os cristãos nesse mistério que se torna parte de suas vidas, transformando-os em filhos de Deus, discípulos de Jesus, membros da Igreja de Cristo. “A partir do batismo, o próprio Deus faz de nossos corações Sua morada. Recebemos por meio do batismo o dom do Espírito de Cristo Ressuscitado, ao ponto de dizermos como São Paulo 'não sou eu quem vive mais Cristo que vive em mim' (cf . Gl 2,20)", enfatiza.

Na cruz, uma lança transpassa o corpo de Cristo e Dele jorra sangue e água; neste momento do coração de Jesus jorra a fonte da graça. “A água simboliza o Espírito Santo que é derramado como fonte de graça para a salvação da humanidade, e o sangue de Cristo simboliza a salvação”, esclarece padre Wagner.

Também esses dois elementos, sangue e água, simbolizam os sacramentos: a água simboliza o sacramento do batismo e o sangue, o sacramento da Eucaristia.

“Jesus no mistério da sua morte, oferece a si mesmo à humanidade no mistério do batismo e da Eucaristia. Por meio da vida sacramental da Igreja entramos em comunhão com Jesus Cristo”, destaca o sacerdote. 

Ele mesmo, Jesus Cristo, se descreve como fonte de água vida, fonte de vida eterna. "Aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna" (Jo 4, 14). "Jesus porpõe um caminho para ela ver a sua vida velha ser lavada por esta água que Ele mesmo, que renova a sua humanidade decaída e prostituida", acrescenta o teólogo e diácono Paulo Lourenço, da Comunidade Canção Nova.
Em Jesus, água viva, todos podem se renovar e começar uma vida nova, restaurada e purificada, se tornarem santos, mesmo que antes do encontro com Cristo tenham cometido pecados e erros. "Em Cristo, mais precisamente pelo sacramento do batismo surge a nova humanidade, que renasce da água e do Espírito Santo", conclui o diácono.

Água, presente de Deus ao homem 

A água sempre representou  a vida, pois até biologicamente a maior parte do corpo humano é composta de água e sem água não existiria vida no planeta. "Água e vida são componentes inseparáveis de todas as realidades criadas por  Deus", salienta o diácono Lourenço.

Padre Wagner ressalta que Deus cria a pessoa humana em comunhão com toda a natureza criada, sendo a água um dom, um presente Dele para o homem. “O ser humano necessita de água para viver, para se lavar, para cozinhar os alimentos, etc. As pessoas devem saber respeitar a água e dar condições pra que seus semelhantes tenham acesso a ela. A água não é propriedade exclusiva de ninguém, mas deve ser um dom de Deus para todos”.

A preservação da água e de toda a natureza criada por Deus é objetivo central da Campanha da Fraternidade deste ano. A campanha promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) destaca que a “criação geme dores de parto” e pede por mais “Fraternidade e a Vida no Planeta”.

Em mensagem especialmente enviada à CNBB, o Papa Bento XVI salientou a importância da "mudança de mentalidade e atitudes para a salvaguarda da criação" proposta pela Campanha da Fraternidade 2011.

O Santo Padre ressalta primeiramente uma correta relação com o mundo buscando maior sensibilidade à presença de Deus naquilo que está ao seu redor: em todas as criaturas e, especialmente, na pessoa humana há uma certa epifania de Deus.

"O homem só será capaz de respeitar as criaturas na medida em que tiver no seu espírito um sentido pleno da vida; caso contrário, será levado a desprezar-se a si mesmo e àquilo que o circunda, a não ter respeito pelo ambiente em que vive, pela criação. Por isso, a primeira ecologia a ser defendida é a 'ecologia humana'", enfatiza o Papa.